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O que é Kuarup?

O Kuarup é um ritual sagrado da cultura indígena brasileira, mais especificamente das comunidades que habitam o Alto Xingu, no estado do Mato Grosso. Em sua essência, trata-se de um ritual fúnebre, onde toda a comunidade pode, em união, enfrentar o luto pela perda de seus entes queridos e finalmente libertar as almas destes para o plano astral.

Contam as lendas que o ritual se iniciou quando um antigo pajé tentava ressuscitar seis membros perdidos de sua comunidade, usando seis troncos da madeira denominada Kuarup para representar cada uma dessas pessoas. De acordo com as lendas, os troncos foram jogados no rio Kuluene. Tudo funcionava muito bem, até outro membro da comunidade desrespeitar uma das regras previamente comunicadas pelo pajé, que decidiu, a partir daquele dia, que não mais tentaria ressuscitar os corpos dos entes perdidos, somente suas almas. Desde então, comunidades indígenas do Alto Xingu acreditam que o ritual do Kuarup tem como função libertar as almas daqueles que já se foram, dando também um fim ao período de luto dos que permaneceram no plano terreno.

O Kuarup em si dura dois dias, mas há, durante o ano que o precede, uma grande quantidade de preparativos, que vão desde o totem daqueles que serão homenageados até a pesca e arrecadação de alimentos (como polvilho e pequi) para todos os participantes do ritual. Nesses dois dias, além da cerimônia do Kuarup, também acontecem danças tradicionais e outros rituais importantes, como os que marcam a passagem das meninas e dos meninos dessas comunidades para a vida adulta.

O ritual de 2022 está sendo organizado por Murilo Kaiapo Matipu, que perdeu seu irmão em 2021. Murilo também é membro da comunidade Matipu e filho do cacique Arifirá. Para este ano são esperadas cerca de 16 etnias de todo o Alto Xingu, e é dever do organizador fornecer não apenas o alimento, mas a gasolina para que essas pessoas sejam transportadas em barcos e recebidas para o ritual.

O órgão que auxiliaria o momento ritualístico é a Funai (Fundação Nacional do Índio), que sofreu cortes de cerca de 40% na verba destinada às comunidades indígenas. Assim, existe uma grande preocupação sobre como realizar um evento desse porte e de tamanha importância. De acordo com Murilo, seriam necessários cerca de três mil litros de gasolina para os barcos, que serviriam tanto para o transporte das pessoas dessas 16 etnias para o ritual, quanto para a prévia pesca e busca de alimentos.

O coletivo Sala Solidária, em colaboração com a comunidade Matipu, está solicitando doações de qualquer valor, visando ajudar no preparo desse ritual tão importante e poderoso, que nos leva de volta às nossas origens. Doações podem ser feitas diretamente ao Kaiapo Matipu pelo número pix: 6698448324 ou pelo PayPal: piercedbr@gmail.com.


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